Moacir Araldi retrata, “Prefiro... gente que tenha a senha dos
sentimentos tatuada nas suas ações”. Acredito que, quando fazemos algo com
sentimento, somos especiais. Podemos influenciar com os sentidos desde que não
esqueçamos a senha como caminho independente, para não gerar dúvidas e, sim,
usar a autoconfiança no buscar novas formas de viver. Em Pedro Du Bois, “Ordenamos. Classificamos. Tornamos os
números a invenção soberana de soberba. Qualificamos as tragédias. Recordamos os
fatores ainda não acontecidos. // Aos números, recontamos nossas vidas”.
Com
o tempo, a prática e o conhecimento fazem de nós pessoas emocionalmente
controladas e fortes, porque aumentamos nosso nível de satisfação pessoal.
Ficamos
satisfeitos quando absorvemos a situação e colocamos em pauta o desejo real,
para ficarmos concentrados neste mundo de diversidades. Usamos os sentidos para
pesar os prós e contras das ações, ao alcançar a condição de pensar com o
coração, levando em consideração a intuição. Como diziam os antigos, “na dúvida escute o seu coração”. Nas
palavras de Virgínia Woolf, “... sempre
na orla do Ser //... Diante da rosa, o ouro, os olhos, uma paisagem / Os meus
sentidos registram o ato de desejar, / Desejar ser rosa, ouro, paisagem ou um
outro - / reclamando a plenitude no ato de amar”.
A
senha dos sentimentos só adquire quem, em inúmeras ações, contribui para se
lapidar emocionalmente. A ideia é sentir a reação e os reflexos dos outros em
nós; dar atenção ao que nossos sentimentos nos dizem. Muitas vezes, a nossa
natureza aponta o caminho da sensibilidade, como sinal para a hora de mudar e
tornar o momento essencial. Como Leila Míccolis escreve, “teu exigente sentir / que quanto mais me quer, / me faz ousar
descobrir, / criar, moldar, esculpir / mil formas de ser mulher”.
A
senha dos sentimentos é como ter em mãos o impacto da vida: saber o que é
importante para preservarmos ou descartarmos. Processo minucioso em que
desenvolvemos pessoalmente, para que possamos tomar a direção certa na compreensão
do que está em jogo nas nossas vidas.

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