domingo, 12 de junho de 2011

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Os Caminhos de Laura - Capítulo XIV

Na noite de véspera de meu aniversário de quinze anos, tudo já estava devidamente preparado para a grande festa que meus pais organizaram para Aracê e eu. Embora não completássemos idade no mesmo dia, ambas tínhamos quinze anos e comemorávamos juntas como se a data fosse a mesma.
 Deitei-me cedo porque estava ansiosa que o tempo passasse e chegasse o dia seguinte. Que festa seria aquela! Mamãe caprichara em todos os detalhes.
Gostosamente acomodada em minha cama adormecei imediatamente e sonhei:
“- Bom dia Majestade! – dizia uma dezena de criadas a volta de minha cama enquanto puxavam o cortinado de cetim e brocado dourado e branco, de onde emergi em meio a lençóis  suaves.
Algumas das criadas seguravam as roupas de baixo, outras as anáguas, sapatos e um vestido verde claro todo bordado com fios de ouro, numa profusão de rendas e babados. Quando saí da cama espreguiçando-me elas foram delicadamente tirando minha camisola e colocando as peças de roupa que seguravam, uma por vez. Após estar pronta dirigi-me a um imenso salão de jantar, onde uma legião de criados servia o café da manhã. Sentei-me ao lado de sua Majestade o Rei Luiz XVI. Eu era Maria Antonieta!
Saindo do café da manhã, desci as imensas escadarias que levavam até o jardim do Palácio de Versalhes, e fiz meu passeio matinal. Passeio de rainha e soberana da França!
“Sem mais aquela eu estava com a cabeça na guilhotina.”
Dei um salto e acordei com Aracê cutucando-me para irmos até a cidade próxima, onde tínhamos salão de beleza marcado para ambas.
Que sonho! Quando contei a minha amiga ela riu tanto que se contorcia, e passou a manhã toda me chamando de "Sua Majestade".
Apesar de tudo, gostei de ser Rainha por uma noite!
Aliás, naquela noite Aracê e eu pousamos de rainha. Quando descíamos pelas escadas que levavam aos salões de nossa casa, nossos imensos vestidos cheios de babados e rendas flutuavam ao compasso da música que tocava para nos receber. Os degraus perdiam-se na profusão de flores e verde que enfeitavam os corrimões. O tapete vermelho estava estendido desde o alto da escada, até o meio da sala toda decorada com guirlandas de flores coloridas. A maioria dos convidados estava em pé nos esperando, enquanto a passos lentos nos aproximávamos da mesa onde estava o lindo bolo de aniversário de cinco camadas. Já passava das onze da noite. A valsa estava marcada para iniciar à meia noite em ponto. Os pares que nos acompanhariam na dança, foram ensaiados por minha mãe, que os cansou de tanto treinar para que tudo saísse perfeito. Quando paramos no meio da sala, dois rapazes que eram filhos de conhecidos da família aproximaram-se, entalados em seus trajes de gala curvaram-se em um cumprimento e nos deram o braço. Seguimos solenemente até onde estavam meus pais, que se postaram ao nosso lado para que recebêssemos os cumprimentos e os presentes. Nosso sorriso era maior que nossa boca. Afinal éramos as rainhas da festa!
Aracê muito debochada disse:
    - Majestade! A festa está à sua altura? – referindo-se ao meu sonho.

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