sábado, 22 de setembro de 2018

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BARBA, PRA QUE (NÃO) TE QUERO




O Paulo Coelho sem cavanhaque, o Roberto Carlos de barba, o Sigmund Freud imberbe e com rosto de bumbum de neném. De adorno facultativo, a barba (ou a sua falta) não tem nada: ela compõe a personalidade de maneira marcante. 

Mas dá trabalho. E difícil é saber o que é mais cansativo - manter o rosto liso ou a barba no esquadro e na altura desejada. Felizmente, soluções redentoras estão chegando ao mercado.

Uma delas é um preparado que entope os folículos pilosos, impedindo o crescimento de pelos. O processo é irreversível. Nunca mais o sujeito que fizer essa laqueadura capilar verá nascer uma penugem que seja no seu rosto. Tudo muito prático, rápido e definitivo, poupando preciosos minutos diários aos não-lenhadores.

Já o tônico batizado de "Parejá" no nordeste, e exportado como "StopNow" para 19 países, promete efeito ainda mais revolucionário. Uma vez aparada a barba na altura e com os contornos bem definidos, o camarada besunta a fórmula no rosto como se fosse uma loção. Pronto. O que está ali assim ficará até o final dos tempos, sem branquear nem exigir tosa futura. Foram décadas de pesquisas com caucasianos, afrodescendentes e asiáticos, de barbas espessas e ralas, em tons brancos, grisalhos, castanhos ou amarelados pela velhice. O resultado foi o mesmo - independente de etnia, dieta alimentar, dosagem hormonal ou herança genética. Comprovadamente, a barba ficava para sempre ao gosto do freguês. 

Como não poderia deixar de ser, os dois tônicos milagrosos foram comprados e patenteados por poderoso grupo multinacional. O fato inusitado, nessa história toda, é que parte dos acionistas da empresa estuda com carinho a possibilidade de retirar do mercado as duas minas de ouro. Isso porque há uma proposta trilionária, oferecida pela Gillete, que literalmente irá cortar pela raíz o sucesso crescente dos produtos, dando sumiço nas duas fórmulas. 



© Direitos Reservados

Este texto é obra de ficção.

Imagem: fontedasaude.org


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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

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Pequenas histórias 292


Josué foi obrigado

 

Josué foi obrigado a se abaixar.

- Vamos, filho da puta, obedeça.

Não tinha como não obedecer. Por mais resistência que colocasse nos seus atos foi obrigado, a mira do revolver, ficar de joelhos.
- Isso, malandro, depois você vai sentir o meu, falou?

Josué nada disse, só tinha que se dobrar diante dos fatos.
Vinha pesquisando os movimentos deles dois, Maneco e Dedé, vários dias. Como estudante de policia, escolheu os dois meliantes para sua tese final de curso. Infelizmente por um descuido fora pego e não via, no momento como sair dessa enrascada.
- Vamos logo, Maneco. Quero sentir a boca desse merda em minha glande.
Tendo as suas costas um revolver, Josué se ajoelhou oferecendo-se à braguilha do Maneco que se abria diante dos seus olhos. Nisso Josué viu uma pedra ao lado do pé do Maneco e seu cérebro logo formulou uma maneira de sair da situação.  Maneco já com o membro para fora das calças gritava:

- Vamos, seu merda, se não quiser morrer põem essa boca para funcionar.
Josué lentamente foi se aproximando do membro rijo com os olhos na pedra ao lado do pé de Maneco. Sabia que tinha que fazer tudo calculado, não podia se precipitar. E assim ele fez.

No momento em que sentiu o membro dentro da boca, apanhou a pedra, fechou os dentes com força, se jogou de lado e lançou a pedra acertando em cheio o rosto de Dedé que, com um urro, caiu para traz. Maneco se contorcia de dor numa poça de sangue. Josué rapidamente pegou a pedra e deixou várias vezes cair no rosto de Dedé. Depois pegou o revolver e disparou varias vezes em cima de Maneco.
No dia seguinte ao ler o jornal, Josué deparou com a seguinte noticia:
“A polícia encontrou no barracão das Indústrias de Linguiça S.A dois corpos, o qual tudo indica, briga de viciados. Identificado os corpos como sendo de Maneco e Dedé, dois meliantes procurados há tempos, estavam os dois mortos numa poça de sangue. Depois de uma investigação intensa, há um item que preocupa a policia. Levados os corpos para o médico legista, este confirmou faltar um pedaço do pênis de Maneco, o qual até agora não foi encontrado.”

Josué ficou amarelo. O que? Não pode ser? Na hora será que sua dentada foi assim tão forte que chegou ao ponto de engolir, sem perceber, o pedaço do pênis do bandido? Não esperou por resposta. Correu até o banheiro e vomitou até o que não podia vomitar. 
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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

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De Mãos Dadas - capa


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terça-feira, 18 de setembro de 2018

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GAVETA



        
          Na gaveta posso encontrar referências históricas memorialísticas e as lembranças, como sentimento de nostalgia provocada por minha vontade de voltar no tempo. Para Pedro Du Bois, “Os objetos sintetizam o que somos...”
          Fico em suspense ao refletir sobre o fascínio do conteúdo da gaveta; logo, confronto as lembranças para estabelecer a ação do tempo e manuseio, por único motivo: busco conhecer a história e não me intimidar com o valor descoberto. Sinto como se estivesse abrindo um livro de poemas pela primeira vez.
          Na gaveta são guardados objetos pessoais. Nela contém um universo mágico e perco o fôlego ao pensar no cenário e nas palavras descerradas. Pedro Du Bois retrata, “Tudo o que precisa /guarda / em gavetas acima / das possibilidades”.
          Minha curiosidade ronda a fantasia enquanto não tenho permissão para abrir a “tal” gaveta. Peco, porque fico pensando sobre o segredo que está guardado. Quanto me influenciaria o descobrir? Seriam cartas de amor? Bilhetes de encontros? Amores e desilusões? Por que insisto em descobrir e vasculhar os objetos, se posso vir a me decepcionar com a surpresa? Não há jeito. Não consigo driblar a curiosidade. Preciso ver para crer! Almandrade resalva, “... afinal ver é um incômodo // tentação do saber”.
          Reconheço que espiar a gaveta é desafiar o tempo e sentir a emoção mesclada com as saudades. Momento em que se apresenta o passado no presente, revelando os diferentes talentos, como o poeta Benedito C. Silva na obra Gavetas Abertas em Cômodos Diferentes, que revela, “Gavetas // Limpar as gavetas  / É despir-se da roupa velha // a sua foto com carinho protegido / Guardada entre tantas outras coisas sem sentido...”
          Outro momento foi tirar da gaveta, o livro de Tânia Pelegrini, Gavetas Vazias – ficção que relembra a política dos anos 70; até hoje aquelas gavetas permanecem semifechadas pela barbárie e o sofrimento decorrente.
          Resta manter abertas as gavetas da paisagem e da poesia para eu poder expor a minha ligação com o mundo, como em Millôr Fernandes, “A gaveta aberta / Tem expressão / Liberta”.






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domingo, 16 de setembro de 2018

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Sob um equilíbrio instável


   
É praticamente consenso,
nesse nosso tempo,
que o comunismo é uma utopia.
E estamos próximos do dia
em que a democracia
será considerada, também,
um ideal inatingível,
nessa nossa Terra.
O verdadeiro comunismo,
e a verdadeira democracia,
só no fim:
Todos vamos morrer, um dia!
   
   

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MELHOR E ETERNO AMIGO



O primeiro cachorro a gente nunca esquece, ainda que o quadrúpede já tenha virado adubo há muito tempo. Tudo bem que existe uma natural transferência da estimação que se tinha ao bichinho para o outro que invariavelmente chega a fim de ocupar seu lugar. Mas o primeiro tende a ser mais especial que os demais, não há como negar isso.

O que pouca gente se dá conta é possibilidade de mantê-lo indefinidamente, mesmo que não seja a rigor o mesmo bicho.

A primeira alternativa é o processo natural, ou seja, a cruza do cãozinho que se deseja perpétuo com alguma fêmea da mesma raça ou muito parecida com o macho. As chances de reprodução e de geração de inúmeras ninhadas dependerá somente das oportunidades de acasalamento. Tendo em vista que cada ninhada produz em geral de quatro a sete filhotinhos, numericamente os descendentes se acumularão em progressão geométrica. Talvez ninguém nunca tenha pensado nisso, mas é perfeitamente possível que dezenas de gerações de uma família tenham como cães de guarda ou companhia dezenas de gerações que descendam do mesmo cachorro. O que daria margem a uma frondosa árvore genalógica canina, tão ramificada quanto a humana.

O congelamento do sêmen também é possibilidade a ser considerada. Um filhote (ou toda uma ninhada) do pet poderá ser gerado no mês que vem ou no século 26, sem maiores problemas. O número de filhotes resultantes da técnica é ilimitada, já que os espermatozoides são armazenados aos milhões. E não têm prazo de validade, se conservados em condições ideais.

A alternativa mais cara e tecnicamente mais complexa é a clonagem. A atriz e cantora Barbra Streisand, por exemplo, fez logo dois clones da sua cadela Samantha, morta no ano passado. Claro que 100 mil dólares, que é o custo do procedimento, não é para humanos vira-latas. Nele, células-tronco do pet são armazenadas quando do seu nascimento ou a qualquer momento de sua vida. Constatada a morte iminente, ou opcionalmente muito antes dela, o clone é gerado e o original conviverá com sua cópia até o desenlace - facilitando a transição para os donos e, porque não dizer, para si mesmo, ao constatar que está indo embora e ficando a um só tempo. O difícil é determinar na pele de quem estará sua consciência, se na matriz ou no dublê... Aí está uma pergunta definitivamente sem resposta.





© Direitos Reservados


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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

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Sem nome


   
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4 v1d4 h48174 05 m34ndr05
pul54, v18r4 1n73n54
n05 1n73r571c105
n05 35p4c05 m1n1m05
d0nd3 8r074m 45 1d3145
0x4l4, m3u p41
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