Colunas Semanais e os autores bibliografia e a não-ficção dos nossos escritores indicações de leituras prosa apresentada em capítulos publicados separadamente poemas, contos e crônicas entrelaçados em um mesmo eixo composição de versos extraídos de poemas de vários autores que se encaixem na realização dum poema coerente A lista geral e notas biográficas dos escritores de Letras et cetera Relação dos escritos - por autor - publicados na revista GERAL: letrasetcetera@gmail.com; CENTRO DE COLABORAÇÕES: letrasetc@gmail.com; EDITORA: letrasetc.editorial@gmail.com

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

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O Amigo

Horas. Os minutos que passaram deitados na cama tendo que se aturarem acordados demoraram horas para avançar. Vistos de cima, eram como qualquer casal normal: ele deitado de lado, encarando a traiçoeira luz do abajur; ela de barriga para cima, lendo e sublinhando um artigo recente da Veja sobre pedagogia infantil. Ele, amargurado, gostaria de ter dito:

- Não basta ler?

Mas engoliu as palavras, eram um casal normal. Contentou-se com o silêncio próprio dos casais normais, enquanto o barulho do grafite em contato com a página soava-lhe como uma faca de churrasco roçando o mármore. Sua consciência encarregava-se de torturá-lo:

- Justo a mulher do Marcelo? Porra, a mulher do Marcelo não pode! De jeito nenhum.

Teresa - mulher do Marcelo e motivo da desgraça que estava sendo aquela noite - era, antes de qualquer coisa, inocente. Esclarecido que era inocente, também era a dona de um belo par de coxas morenas, cabelos castanhos dignos de comercial de shampoo, lábios grossos bem desenhados e olhos verdes. Verdinhos, duas azeitonas.

Marcelo talvez fosse o homem mais feliz do mundo. Sua sorte começou ainda no colegial. Todo homem de talento precisa ter dois amigos para o resto da vida: outro homem de talento para ser seu sócio e um homem perdedor para ser seu funcionário. No colegial, conheceu Agenor, um bom perdedor. A amizade dos dois durou os três últimos anos de colégio, os cinco de faculdade e mais alguns muitos até aquela noite.

Ainda que os cabelos louros sedosos de Marcelo não combinassem em nada com a barba mal feita de Agenor, estavam sempre juntos. Quando se formaram, quando Marcelo conheceu a tal Teresa, quando arrumou um estágio privilegiado, quando juntou dinheiro para comprar um Passat 1.7, quando foi efetivado e promovido, enfim, em todos os seus sucessos. Carne e unha.

Naquele mês, enquanto atribulado homem do setor alimentício, Marcelo precisou ausentar-se da cidade por duas semanas. Tratava-se de uma negociação a respeito de saches de catchup. Antes de partir, deu dois beijos na esposa e um amistoso tapinha no quadril:

- Volto logo. Se cuida.

Agenor mesmo o levou no aeroporto. Agora, dez anos depois, juntou dinheiro para um Passat 1.6. Despediram-se com um abraço. Marcelo foi quem tocou no assunto:

- Olha, me faz um favor, duas semanas pra Teresa dormir sozinha é muito tempo, mas eu não consegui convencê-la a dormir na casa da mãe. Fala com a Cátia, pede pra elas conversarem, de repente a Cátia consegue.

- Tá, pode deixar. Fica despreocupado.

Era mentira. Marcelo nem desconfiava de quanto Cátia, mulher de Agenor, odiava Teresa. Agenor escondia a implicância da mulher ao máximo, tinha certo constrangimento daquele ódio aparentemente sem motivos ou pretensões, que por vezes levava a discussões desagradáveis:

- Aquelazinha... Hum. Não me convence. Essas roupas indecentes, carinha de criança... Aposto que dá pro bairro todo.

- Que é isso, meu amor!

- É isso mesmo. Essas são as piores, Agenor. Homem é tudo bobo. Você, o Marcelo, tudo bobo. Mas a mim... Ah, a mim aquela pistoleira não engana!

- Meu bem, você cismou com isso!

- Ah, eu cismei? Eu cismei, então? O que você diria de mim se eu fosse com essas roupas dela fazer compras, hein?

Agenor era um perdedor, mas tinha como bem mais precioso o típico senso de humor decadente e charmoso que acomete os perdedores:

- Que elas são quatro manequins menores que você.

Antes lhe tivesse dado quatro tiros.

Naquelas duas semanas, ele bem que tentou convencer Cátia a falar com Teresa. Inútil. O que ouviu foram comentários sobre as atrocidades sexuais que a pequena - não tão pequena, mas quatro manequins menor que Cátia - cometeria na ausência do marido.

Sexta-feira, durante o horário do almoço, tocou o celular de Agenor.

- Só pode ser a Cátia.

Pensou. Como de costume, não errou.

- Alô?

- Oi. Pode falar?

- É... Agora eu ainda não desci pro almoço. Daqui dez minutos eu...

- Olha, domingo, minha tia me convidou pra comer salpicão.

- Ótimo, amor. Depois da corrida a gente vai.

- Não, foi a tia Margarida, irmã da mamãe.

- Ah, a tia Margarida?

- É. Você sabe que ela não suporta você, né? Até hoje ela me inferniza o juízo dizendo que eu devia era ter casado com o Robertinho, né?

- É, o diretor daquela empresa de...

- Não, o presidente. Mas então, ela só convidou a mim.

- Tudo bem, eu como na padaria mesmo, eu...

- E você nem gosta de salpicão, né? Eu deixo um macarrão pra você, tá?

- Tá, amor. Obrigado.

A empolgação era evidente.

- Tenho que desligar, tem aluno em sala.

Ela arrematou antes de desligar. Depois de afastar o telefone do ouvido, Agenor pôde ouvi-la gritar para um de seus alunos um sonoro: “cala a boca”. Sentiu-se grato por não ser um deles. Desceu as escadarias para almoçar feliz da vida, pois não gostava realmente da tia Margarida. De salpicão tampouco. Ela, por sua vez, era formada em pedagogia e trabalhava como auxiliar de creche. Feliz da vida, gostava da tia Margarida e de salpicão.

Sexta-feira, dez minutos depois, toca o celular novamente.

- Pombas, Cátia de novo.

Enganou-se, felizmente.

- Alô?

- Agenor?

- Teresa?

- É. Tudo bem? Tá podendo falar? Tá no trabalho?

- Tô. Não. Pode falar.

Uma sutil diferença na voz se fazia notar em menos de quatro frases.

- Sabe o que é? O Marcelo vem no domingo, né? Eu queria preparar um negócio pra ele.

- O que, Teresa?

- Sabe aquele rondelli que ele adora?

- Ah, sei sim, aquele rondelli de São Cristóvão?

- É, esse mesmo! Mas então, de Copacabana pra São Cristóvão é meio longe, eu não sei chegar lá direito. Você pode me dar uma carona?

- Domingo agora?

- É. Domingo de tarde, se não for muito incômodo.

- Imagina! Imagina, Teresa, que isso? Você acredita que a Cátia acabou de ligar dizendo que ia passar o Domingo com uma tia gorda e chata? Eu ia ficar sozinho em casa, sem fazer nada mesmo!

- Jura? Eu não quero incomodar, não mesmo!

Disse isso mordendo o lábio. Agenor podia ver a menina de camisola mordendo o lábio.

- Domingo, uma hora, na sua porta?

- Não, porque você não vem lá pra meio-dia? Ai na volta a gente come no Cervantes e fica tudo certo?

- Meio dia. Combinado.

Meio-dia. As coxas da menina estão ao sabor do vento, pois o vestido encarregado de protegê-las não chega nem perto. Dentro de minutos, essas coxas estariam no banco do carona do Passat 1.6, ao lado de Agenor. Conversaram muito sobre os velhos tempos, riram bastante, ela cruzou as pernas dezessete vezes, ele não deixou que ela pagasse pelo rondelli nem pelo sanduíche de mignon com queijo sem abacaxi... Foi divertido, como dificilmente teria sido ao lado de uma pedagoga frustrada, quatro manequins maior que aquela menina.

Ele a deixou em casa e depois tratou de correr para a sua própria, onde encontrou a mulher de cara fechada. Perguntou como foi o dia e a esposa limitou-se a responder:

- Bom.

Completou reclamando da demora do marido, da Teresa, dele ter pagado as coisas, dele não a ter buscado na tia, do ministro da cultura, e não parou de desfiar seu terço. Enquanto Marcelo rasgava as roupas da pequena ferozmente, Agenor e Cátia deitaram-se como um casal normal. Ele de lado encarando o abajour, ela de frente, lendo qualquer porcaria.

- Você não trepou com aquela vagabunda não, né?

- Amor, ela é mulher do Marcelo.

Ficaram em silêncio enquanto sua consciência o torturava:
- Justo a mulher do Marcelo? Porra, mulher do Marcelo não. De jeito nenhum.
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domingo, 26 de fevereiro de 2012

1

Pot-pourri 1 e 2 - Sonia Regina





















[1]    

é no íntimo das veias que agoniza 
a angústia surda (1) 
o gosto de sal 
na água ardente acorda o milagre 
que nos chega no momento certo (2) 
 

estrelas não adormecem, velam as cores e imagens
que crias. aguarda-as, enquanto sentes o aroma
deste dia em que caminhas com o coração.
 

há habitações fluindo dos teus olhos, percebes?
 

estares perto de ti coloca teus passos na direção certa.
há cidades límpidas além dessa montanha, há outras
luzes, teus tornozelos não te falharão (3)
 

a linguagem flui nas representações. cobiça que se fixem,
na terra e na água, o fervor e o júbilo, a ternura, um tempo
e distância não lineares (4)
 

o passado ao repetir-se diferente, revela
os montes tocando o sol (5)
 

entre abismos celestes
para trás dos ombros, as perturbações
e, à frente, o verbo preferir. (6)







[2]

estrelas não adormecem, velam as cores e imagens. (3)
a linguagem flui nas representações (4)
o passado ao repetir-se diferente, revela (5)
a angústia surda (1)

estares perto de ti coloca teus passos na direção certa. (3)
para trás dos ombros, as perturbações (6)
e, à frente, o verbo preferir (6)
que nos chega no momento certo (2)

é no íntimo das veias que agoniza (1)
o gosto de sal. (2)
há habitações fluindo dos teus olhos, percebes? (3)

na água ardente acorda o milagre(2)

o fervor e o júbilo, a ternura, um tempo
e distância não lineares (4)
que crias. aguarda-as, enquanto sentes o aroma
deste dia em que caminhas com o coração (3)

há cidades límpidas além dessa montanha, há outras
luzes, teus tornozelos não te falharão. (3)
cobiça que se fixem, na terra e na água (4)

entre abismos celestes (6)
os montes tocando o sol (5)





Imagem: pintura de Herbert James Draper




OBS: A numeração abaixo remete aos poemas de onde os versos destes dois pot-pourris foram extraídos. Numa espécie de intratextualidade, no pot-pourri eu retomo poemas antigos para escrever o novo.

(1) o quente tom do carmim

(2) num sopro de idéia perambulando

(3) bênção

(4) e, a língua, arde

(5) o pulsar que segreda sem nevoeiro

(6) perturbações


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sábado, 25 de fevereiro de 2012

3

SAMBANDO O CONTEXTO GERAL


Foto Gatinho -língua-de- gravata deixou sangue 
por todo lado de Robson Corrêa de Araújo.

Meu samba: Verso.
Ziriguidum de Rimbaud
alinhando as nuvens bruxulentas
em absinto de Baudelaire.
Meu Carnaval: Poema
que me trai
com a prosa
no romance
da vida que corre pelas frestas
desses minutos rolantes
MATRIX de um caleidoscópio
salvando um haikai
do mar
da vida.

Cássio Amaral.
25/02/2012

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2

A Visita

Todos dormem na casa da praia
E eu recebo aqui na sala
O filho de Deus.
A luz baça se incendeia em clarão
É Ele que brilha em Seus elétrons
Muito mais que dez sóis.
Falo-lhe de minha família que dorme
Ele sorri - que durmam
Falo-lhe de José e Maria
Tão lindos no filme de Zefirelli
Ele sorri - agradecido
Falo-lhe da criação do Seu Pai:
A Natureza - falo do sol, da praia,
Da angra serena que ali está
Há tantos milhões de anos
Ele sorri - feliz
Falo da vida, dos sonhos, da fé
Ele sorri - ainda
Aí falo dos homens, das guerras
Que não param, ora aqui, ora ali
Falo das usinas nucleares, ogivas,
Falo de tantos sem nada, outros com tanto
Falo de palácios e barracos
De suítes e de quartos de empregadas
Falo de dietas de baixa caloria e da fome total.
Falo de secas e de enchentes
Falo de segurança, falo de petróleo
Falo de álcool e de vinhoto
Nos rios e lagoas - falo da produção
E do supérfluo,
E aí,
Ele estende Seus dedos para que me cale
E sorri - com lágrimas nos olhos.


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PORTAS ABERTAS: sobre ANGELAs e ANTÔNIOs

Tudo começou quando chegamos de viagem, abrimos a porta do apartamento e, agradavelmente, encontramos o livro Ângela e Antônio de Maria Helena Latini. Espiamos as entrelinhas, mas só fizemos a leitura agora, depois de as netas irem embora.
O livro oferece o inusitado no contar a história de Ângela e Antônio, através da prosa poética marcando a busca do humano pelo sentido da vida, onde o amor se declara em dilemas: angústias e prazeres, no surgimento da paixão entre eles. “Ficará o meu amor por Ângela, diluído. Diluído, cairá em chuva sobre gerânios e os jasmins. E haverá um coro de aleluias. E os anjos dirão “amém”.
Na poesia de Latini, encontro aspiração pelo novo e o reflexo do amor em conflitos que acabam conduzindo Ângela e Antônio por caminhos não percorridos, não conhecidos. “Dói-me o Amor. / E não sei dizer / exatamente / em que ponto.” A trama resulta nas passagens marcantes e, ao mesmo tempo, múltiplas, ao desfrutar o tempo em raro momento: encontro de anjos. “Talvez tenha eu / algo de Antônio. / E ele / algo de mim. // E vão discutir / o sexo dos anjos. // teorias suspensas, / para um dia...”
Atravesso a porta para ler a reinvenção da autora, no distinguir a realidade da ficção o que me leva a refletir sobre a repressiva liberdade dos personagens. “... Você sabia Ângela, que o tempo é uma porta aberta?// Ângela debruçada no limite do concreto: parede branca / céu nublado. Transparências, camisola, meio anjo, gerânios e jasmins.”
O livro de Maria Helena é fascinante e abre portas para a passagem de um tempo ao outro. Essas portas me conduzem à parte principal: a relação de Ângela e Antônio, o amor que os liga e separa, porque estão além... além das opções; além do abrir portas e revelar a origem. “Era uma reunião de anjos. Entre o vão da porta da cozinha, escutei:- Ela entrou na sintonia e está perdida. Quando abri a porta disposta a vê-los melhor, só havia o vazio e o barulho cadenciado de gotas, da torneira da pia.”
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Sábado com os autores [2012, de 18 a 24.02]




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

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3 NOTAS - JANDIRA ZANCHI

alcanço o canto da estrela prima solo de cordas e acordes perfume – encanto – da noite vacilante...
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

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A CASA DAS GAIOLAS - XIV

POUCO afasto-me em dias: revigoro os contos em revoluções mecânicas na...
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

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poema dois de "hierofania dos dedos"

(quadro de toulouse lautrec)procuro corpo nevoeirona imensidão da pele,como se fosses simulacrode carne...
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

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Autoajuda

0d10: 3u 0d310 05 73x705 d3 4u704jud4.05 f1n415 f3l1z35;0 b0m-m0c15m0;45...
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

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Leonardo Boff - A grande contradição brasileira

Mais e mais cresce a convicção, inclusive entre os economistas seja do stablisment seja da linha neokeynesiana,...
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

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depois da queimada

há uma dádiva nas pausas sem paragem: vislumbra-se na escuridão o fogo, ...
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

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A dinastia do sangue

Ainda me sabem a caramelos os velhos beijos das avós que viviam viúvas...
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

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A Dama do Metrô 70

Malu se jogou na cama. Cansada queria dormir, mas precisava de um banho e desfazer das roupas. Suja,...
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

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Travessia

Coração cansado Palpita ligeiro Sente o cheiro do amor Se acha, se perde...
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

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CONTAÇÃO: "Deslumbramento" - por M. Mei

Deslumbramento Calma. Após a sensação do êxtase completo que preenchia cada gota morna...
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

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Inseto maldito

Diogo veio caminhando lentamente e sentou-se à sombra da mesma árvore. Deixou suas coisas ao lado. Era...
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

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“O VERDADEIRO ANALFABETO É AQUELE QUE SABE LER E NÃO LÊ.” (Mário Quintana)

Quanto tempo você tem para ler no seu dia a dia? ANA: arruma tempo...
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

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A DANÇA DOS ARCOS 3 - JANDIRA ZANCHI

A DANÇA DOS ARCOS 3. Alonso começara a percorrer o jardim. As flores...
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

1

o que ainda suja

lava meu corpo imundo de lembranças impregnadas, de traças, e fique com...
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

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O guarda-chuva

Contam os mais antigos - normalmente cercados pelos olhos arregalados das crianças da família e...
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

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A Cultura e as Comunidades de Leitura

A Cultura e as Comunidades de Leitura “aspira a contagiar a los demás...
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

0

Pequenas histórias, grandes tragédias

A tempestade A chuva estava insistente. Forte e fustigante desde cedo...
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

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ÁGUAS DA PRIMAVERA...

Depois de anos, as cigarras saem do fundo da terra e cantam a melodia que, com a morte, se encerra. Explodem...
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

1

O MALABARISTA -- Soneto de Adelina Velho da Palma

O MALABARISTA As bolas mal tocam na tua mão,as...
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

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“TEORIA DO HOMEM”

"Se algo divino existe entre os homens é a arte”. (Edmílson Caminha) ...
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

1

Cheiro de vento

De onde sopra este vento que me envolve sereno? Não, não diga o teu nome, fique perto, calado. Conheço...
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

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O MAL DISPOSTO soneto de Adelina Velho da Palma

O MAL DISPOSTO Acorda sonolento e carrancudo logo após fica tenso e apressado,...
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domingo, 19 de fevereiro de 2012

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A última noite da vela

Como faço para te ouvir ó munda morta Que deixas sozinha num canto escuro Uma...
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domingo, 19 de fevereiro de 2012

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Águas e Sonhos

Águas correm nas sarjetas Fluem rápidas Limpam ruas Espelham luas Não...
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sábado, 18 de fevereiro de 2012

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SARÇA

Maria do abajur lilás, dos sonhos da luz vermelha, tinha visões de pecado, tremores suados profanos....
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sábado, 18 de fevereiro de 2012

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dilema

porra, onde eu acho uma caneca do hitchcock? pensa ademar lendo o jornal. não vai fazer meu café...
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

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3 NOTAS - JANDIRA ZANCHI




alcanço o canto da estrela prima
solo de cordas e acordes
perfume – encanto – da noite vacilante
ante o astro em suas 3 notas sibila 
o sonho aspirado de alguma madrugada vadia

enquanto tua alma crescendo em
                                         crescente crisálida
é o movimento – aleatório – do vento.
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A CASA DAS GAIOLAS - XIV

POUCO

afasto-me em dias:
revigoro os contos
em revoluções mecânicas
na ressurreição do ocaso
cristalizado em efêmeros
fantasmas de filmes
de segunda classe. Odeio
sair de casa e me faço parado
na porta fechada em entretelas:
a mosca aprisionada me alimenta
e dela me arrepio na constância
da barbárie que me remete
ao significado onde me instalo

dias dispensados ao alcance
e o cínico olhar de fora e dentro
me convence do fracasso: sou
aqui o descalabro do presente.

(Pedro Du Bois, A CASA DAS GAIOLAS)
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1

poema dois de "hierofania dos dedos"



(quadro de toulouse lautrec)


procuro corpo nevoeiro
na imensidão da pele,

como se fosses simulacro
de carne e de fogo

o verso dobrado no
espanto da língua.

são as palavras, e não o toque,
quem vibra na destruição

do prazer.

Jorge Vicente
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1

Autoajuda

0d10: 3u 0d310 05 73x705 d3 4u704jud4.

05 f1n415 f3l1z35;

0 b0m-m0c15m0;

45 f0rmul45 f4c315 p4r4 4 f3l1c1d4d3.

4 v1d4 3 Phoda.

4 m0r73 3 Phoda.

540 c01545 d3 g3n73 Grande.

Porra.


Ref:
[1] Down in Mississippi (J. B. Lenoir)
[2] See You in Hell, Blind Boy (Ry Cooder)
[3] Feelin’ Bad Blues (Ry Cooder)
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Leonardo Boff - A grande contradição brasileira

Mais e mais cresce a convicção, inclusive entre os economistas seja do stablisment seja da linha neokeynesiana, de que nos acercamos perigosamente dos limites físicos da Terra. Mesmo utilizando novas tecnologias, dificilmente poderemos levar avante o projeto do crescimento sem limites. A Terra não aguenta mais e somos forçados a trocar de rumo.

Economistas como Ladislau Dowbor entre nós, Ignace Sachs, Joan Alier, Herman Daly, Tim Jack e Peter Victor e bem antes Georgescu-Roegen incorporam organicamente o momento ecológico no processo produtivo. Especialmente o inglês T. Jack se celebrizou pelo livro “Prosperidade sem crescimento”(2009) e o canadense P. Victor pelo “Managing sem crescimento”(2008). Ambos mostraram que o aumento da dívida para financiar o consumo privado e público (é o caso atual nos paises ricos), exigindo mais energia e uso maior de bens e serviços naturais não é de modo algum sustentável.

Os Prêmios Nobel como P. Krugman e J. Stiglitz, porque não incluem explicitamente em suas análises os limites da Terra, caem na armadilha de propor como saída para a crise atual um maior gasto público no pressuposto de que este produzirá crescimento econômico e maior consumo com os quais se pagarão mais à frente as astronômicas dívidas privadas e públicas. Já dissemos à saciedade, que um planeta finito não suporta um projeto desta natureza que pressupõe a infinitude dos bens e serviços. Esse dado já é assegurado.

O que Jack e Victor propõem é uma “prosperidade sem crescimento”. Nos paises desenvolvidos o crescimento atingido já é suficiente para permitir o desabrochar das potencialidades humanas, nos limites possíveis do planeta. Então chega de crescimento. O que se pode pretender é a “prosperidade” que significa mais qualidade de vida, de educação, de saúde, de cultura ecológica, de espiritualidade etc. Essa solução é racional mas pode provocar grande desemprego, problema que eles resolvem mal, apelando para uma renda universal básica e uma diminuição de horas de trabalho. Não haverá nenhuma solução sem um prévio acerto de como vamos nos relacionar com a Terra, amigavelmente, e definir os padrões de consumo para que todos tenham o suficiente e o decente.

Para os países pobres e emergentes se inverte a equação. Precisa-se de “crescimento com prosperidade”. O crescimento é necessário para atender as demandas mínimas dos que estão na pobreza, na miséria e na exclusão social. É uma questão de justiça: assegurar a quantidade de bens e serviços indispensáveis. Mas simultaneamente deve-se visar a prosperidade que tem a ver com a qualidade do crescimento. Há o risco real de que sejam vítimas da lógica do sistema que incita a consumir mais e mais, especialmente bens supérfluos. Então acabam agravando os limites da Terra, coisa que se quer exatamente evitar. Estamos face a um angustiante círculo vicioso que não sabemos como faze-lo virtuoso sem prejudicar a sustentabilidade da Terra viva.

A contradição vivida pelo Brasil é esta: urge crescer para realizar o que o governo petista fez: garantir os mínimos para que milhões pudessem comer e, por políticas sociais, serem inseridos na sociedade. Para as classes já atendidas, precisa-se cobrar menos crescimento e mais prosperidade: melhorar a qualidade do bem viver, da educação, das relações sociais menos desiguais e mais solidariedade a partir dos últimos. Mas quem vai convecê-los se são violentamente cooptados pela propaganda que os incita ao consumo? Ocorre que até agora os governos apenas fizeram políticas distributivas: repartiram desigualmente os recursos públicos. Primeiro garantem-se 140 bilhões de reais para o sistema financeiro a fim de pagar a dívida pública, depois para os grandes projetos e somente cerca de 60 bilhões para as imensas maiorias que só agora estão ascendendo. Todos ganham mas de forma desigual. Tratar de forma desigual a iguais é grande injustiça. Nunca houve políticas redistributivas: tirar dos ricos (por meios legais) e repassar aos que mais precisam. Haveria equidade.

O mais grave é que com a obsessão do crescimento estamos minando a vitalidade da Terra. Precisamos de um crescimento mas com uma nova consciência ecológica que nos liberte da escravidão do prudutivismo e do consumismo. Esse é o grande desafio para enfrentar a incômoda contradição brasileira.


Leonardo Boff
Teólogo/Filósofo


Leonardo Boff escreveu Sustentabilidade: o que é e o que não é, Vozes, Petrópolis 2012.




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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

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depois da queimada




























há uma dádiva nas pausas sem paragem:
vislumbra-se na escuridão o fogo,  tímido
perante a ternura das águas doces

os corpos molhados trabalham ao tempo
o que restou das cinzas sem sentido.
nos momentos de sol  a força brota,

as pupilas amadurecem
sem desassossego ou fantasia.
os gestos antigos calam-se.

sonia regina



imagem: autor desconhecido


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1

A dinastia do sangue

Ainda me sabem a caramelos
os velhos beijos das avós
que viviam viúvas dentro do casamento
porque os maridos morriam sem dever morrer
ou se desterravam para viver sem viver
longe dos berros da miséria.
... Viviam nas infamantes pedreiras dum país sem língua
... ou na luxúria duma sorte malfadada.
Vejo-me criança que não sabe compreender
a precoce velhice daquelas damas caturras
que se vestiam de mulher duas vezes em cada ano.
Natal e Páscoa.
Sabe-me a pouco aquela promiscuidade latente
que diferenciava a fria autoridade dos pais
com a doçura de velhas-jovens.
... Mais mães do que avós
... Mais crianças do que adultas
Avótriarcas
que sustentavam os meus sonhos com lendas toscas que saiam duma memória parada.
Vejo-me criança que sabe compreender
a solidão daquelas jovens-velhas
... Mais amigas do que mães e avós
que se sustentavam com um valor emérito.
... O sorriso do neto que recebe um rebuçado.
Vejo-as agora que sou grande
pai e avó
circulando à minha volta para me oferecer o rebuçado
que ainda não dei aos meus netos.

Elas não souberam que tive filhos ou netos
mas souberam que o sangue duma família é doce.

(AEC) Antanho Esteve Calado
[ler na íntegra]