segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

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poema três de "hierofania dos dedos"



(quadro de John Ruskin, "Talloires, Lake Of Annecy", s/d)

"na noite em que esta infância caberia,
noite haveria sempre" (1)

Lêdo Ivo


na mais antiga noite do mundo,
silêncio haveria sempre,
silêncio de palavras,
como se a rocha ainda não esvaziasse
o sentido da pele,

da pele clara e seca da terra,
da terra simples e boa
que os antigos cultivavam ao raiar da treva.

na mais antiga noite do mundo,
só restaria a pedra e o mar:

o mar
encapelado da palavra
encoberta.

Jorge Vicente


(1) IVO, Lêdo - Uma lira dos vinte anos. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1962. p. 36.

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