Às vezes é como
Às vezes é como
uma guitarra que, em solos estridentes, rasga ondas num vai e vem, levando-o de
um lado para o outro; outras vezes é como um violino que, em notas de lâmina
não afiada, arrasta-o um dia após o outro num traduzir lamentável.
“Decifra-me ou te
devoro”, pergunta a esfinge no deserto arenoso da solidão em fria solidificação
de cimento e lágrima.
Não tendo como
lema a decifração de enigmas, é devorado pelo continuo viver alimentando-se nos
estridentes acordes, ora da guitarra, ora do violino.
Vive assim, numa
linha frágil que de um momento para outro poderá arrebentar e, sem piedade, o
lançará ao abismo profundo e pontiagudo da vida pela vida.
Lança-se sem
pestanejar as aventuras do cotidiano sem indagar como deve ou não ir, como deve
ou não estar preparado para consequências advindas ao seu proceder.
Não indaga no que
deve ou não no que quer.
Já tem o que lhe é
suficiente, para que vou querer mais, responde aos que lhe indagam da
felicidade.
A felicidade está
no olhar as coisas, os objetos, as ações alheias, está dentro dele e não no que
poderá ou no que deverá fazer.
Todos os dias
beija o ombro nu da carne refazendo-se nos passos em direção a morte de si
mesmo.
Reconstrói dessa
maneira, o peregrino que há dentro dele desprezando a dualidade.
pastorelli

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