A menina
A menina que roubava livro foi indicação médica. É o médico lhe indicou. Isto é, ele que foi intrometido, se espicaçou no livro que o doutor estava lendo. A curiosidade foi maior, não resistiu e perguntou:
- Desculpe doutor, mas que livro o senhor está lendo?
O livro estava ali, a mostra, parecia que o
chamava, instigava-o e, fraco, não pode resistir e perguntou meio acanhado,
pois não sendo expansivo, falou numa voz meio que baixa na esperança, talvez,
que o médico não o ouvisse.
- Desculpe doutor, mas que livro o senhor
está lendo?
- Criança 744.
- É bom?
- Razoável já li livro melhor que esse. A
Menina que roubava livros é bem melhor, recomendo.
- Li alguma coisa sobre esse livro, mas não
me interessei por ele.
- Pode ler que é bom.
- Pode ler que é bom.
- Já que o senhor diz que é bom, vou procurar
ler.
Chegando a casa disse à filha:
- Procure o romance A Menina que Roubava Livros.
- Já ouvi falar que é um bom livro. –
respondeu a filha.
E o assunto ficou nisso. Ninguém mais tocou
no assunto.
No domingo, dia dos pais, eis que a filha lhe chega dizendo:
- Feliz dia dos pais. – lhe entregando um presente.
No domingo, dia dos pais, eis que a filha lhe chega dizendo:
- Feliz dia dos pais. – lhe entregando um presente.
Como sempre, ele foi dizendo os clichês de
todos os anos:
- Mas que isso, filha, não precisava, você sendo feliz é o melhor presente que pode me dar.
- Mas que isso, filha, não precisava, você sendo feliz é o melhor presente que pode me dar.
Ao mesmo tempo em que dizia foi pegando o
embrulho retangular. Um livro saltou na mente ao se fixar na ideia. Feito e
dito rasgou o papel e deparou-se com A Menina que Roubava Livros. Agradeceu
prometendo que seria o próximo livro que iria ler.
Cumprido o prometido, já vinha se arrastando
na leitura. Estava na página cento e pouco e ainda não se sentia empolgado pela
história da menina ladrona de livros.
Perguntava-se:
- Por quê?
- Por quê?
Sentia ao ler cada palavra, que algo faltava,
que algo estava meio que fora, não prendia a atenção. Os personagens tinham
consistência, chegava até abstratamente criá-los fisicamente, no entanto suas
ações, suas atitudes pareciam desleixadas, pareciam frouxas. Será o método do
escritor em não apresentar mais profundamente o psicológico de cada personagem?
Será porque colocou a figura da morte para contar a história? Não sabia, não
era um entendido em literatura, não era um estudioso. Por várias vezes
sentiu-se impelido em abandonar o livro.
No entanto, pelo pouco conhecimento que
tinha, poderia apostar que se fosse enfocado de outra maneira, o livro seria
mais interessante, prenderia mais a atenção do leitor.
Bom, como era um presente, se achava na
educação de pelo menos ler o livro todo.
pastorelli

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