domingo, 1 de março de 2020

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OÁSIS - JANDIRA ZANCHI

Ilustração; Cruzeiro Seixas


espumar como cristais de degelo
amotinados frente ao verso
ou ao versante
malefício/benefício
escrutinado no mosaico (algumas vezes claro)
atuado e pontilhado como motins no esquadrão de asteroides

a realidade, pasmem, é múltipla caótica esdruxula e reflexo
das muitas provisões da matéria energia filosofia entropia
(enfim a porcaria que se queira)

mas, ainda que imprevisível a olhos nus e nubentes, o mundo
das cenas e das águas e das aves é tão simples como todos os entre muros
um oásis  um frescor um rigor um debate e uma inevitável consequência
da química aprendida (ou não) dos fosseis acumulados no que parece o espaço/tempo

algum contravento? um senhor ou uma senhora, uma penhora antes deste
inevitável congelar da sopa cósmica?



JANDIRA ZANCHI