domingo, 27 de junho de 2010

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nas mãos do Pescador sussurra o oceano
























olhei atentamente essa âncora 
lançada à boca do rio 
- nua de barco. 
Sem tato, é um lastro à mercê  
do turbilhão de pássaros 
da elipse do dia  
[sem percepção dos instantes  
voando no arco da memória]  

o pranto transmutado em ária
acontece numa travessia discreta.
nas mãos do Pescador sussurra o oceano
e eu, marejada, tropeço nas palavras

o movimento imperceptível do tempo
pisca certezas, a generosidade
me acena de um cisco

e o poema nasce, na delicadeza da passagem.

sonia regina
..rio, 27.6.10


"O cisco sentado no banco da praça
insiste em ser o poema que permanecerá por séculos." 
Cássio Amaral
[Em Ínfimo Devaneio Matrix]





Imagem: Arto Muhtaryan

2 comentários

Pablo Flora

Cotidiano/vida acolhido/a pela metavisão formosa e atenta do poeta: poesia! Simplesmente agradeço por esse presente de leitura!

sonia regina

Um presente a tua leitura, pablo, com comentário tão rico.
Obrigada.

bjs
da sonia