Os ciganos riram e Miguel se ofereceu para ir comigo até o ponto de ônibus.
No sábado seguinte Andy me ligou e disse que estávamos convocados para ir até a capital na segunda feira. O problema de Sara e Miguel fora resolvido, seu pai e sua mãe entraram em contato com o advogado que nos atendeu, e parece que tudo saiu para o melhor. Alguns dos meninos de rua que roubaram na loja foram interrogados e confessaram o crime. Precisávamos ir lá apenas para cumprir formalidades. Fiquei feliz com a notícia e saí correndo tomar um ônibus para ir contar aos meus amigos. Não os encontrei na praia. Fui até o morro e lá também não estavam. Desci o caminho que levava até os barracos onde eles moravam, nem lá estavam. Sentei em um banquinho de lona no barraco de Miguel e pensei onde eles poderiam estar. Desanimada saí para a praia novamente contornando os paredões de pedra que formavam o morro onde ficava o farol. Desviei um barco velho que alguém abandonara por ali e caminhei pela areia molhada. Vi uma mulher carregando um grande saco preto com muito esforço. Ela arrastava pela areia molhada e firme deixando um sulco no caminho. Pensei em ajudá-la na tarefa, mas desisti, pensei que deveria encontrar meus amigos e depois ir para casa porque Renan iria lá depois, então caminhei por trás das pedras e voltei ao local onde a praia era movimentada.
Próximo a uma barraca que vende caldo de cana, vi Renan e uma moça loira em um papo bem animado. Ele de sunga branca na pele bronzeada ficou lindo. Ela de fio dental vermelho, também com a pele muito bronzeada se destacava no local. Fiquei de longe olhando e não me aproximei. Esperei pensando que a conversa dos dois acabaria e aí eu me aproximaria de Renan. Mas em vez disso, os dois pegaram seu caldo de cana e seguiram conversando pela orla, molhando os pés na água que as ondas espraiavam na areia. Não quis ser intrometida e fui para o ponto de ônibus. Onde estariam Sara e Miguel?

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