quarta-feira, 31 de agosto de 2011

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A NASCENTE 15 - JANDIRA ZANCHI



A NASCENTE

I -  ASCESE

15.

     Eram as horas diurnas do pouso da estrela. Em torno do cheiro da mata Alonso precisava a angulação do Sol. Arejado pela soberba da vazante o Príncipe comprimia a direção da sina e, sem mais volteios, anunciava-se a prumo, chegado e valente, perfilado na Nascente.
     Alongada em um escuro verde, estirada em espaços de mármore celeste e desprovida do contorno das falsas penugens, a floresta abria-se ao pouso, crua e faminta, serena e saciada.  Diluíra-se da memória, e guardara-se , íntegra, para a adoração da espada. Salivava com indisfarçável gula o prenuncio de sua vitória. No silêncio, a batida do chão coloria fragmentos da nova solicitude, empurrando seu macho para o princípio do coração.
     Entendia-se que aconteceria uma saída, um atalho, um transcorrer mais condizente. Alonso, quando enfim pode vê-lo, enamorou-se de suas árvores e armações, afuniladas em anil, de poucas festas e muitos pastos. Por ali caminhou o tempo necessário, detendo-se em algumas escarpadas fontes, embevecido com a firme segurança e conformidade de cada curva. No espaço mais aberto, mas ainda assim defendido por carvalhos senhoriais, divisou um solar de madeira e pedra, sólido e suave, nítido e belo.
-         Minha casa. E a sua luz?
-         Você será a luz. Alonso.
      Na aura do Templo o coro das Ninfas verteu a hortelã do belo Príncipe. Manejaram-se em muitas formas de faceirice, mas, no rio do desejo, estenderam o fascínio de Apolo
-         Que se aprumem para o Reino das Águas as formas desse belo deus!
-         Tão palmilhado ao vigor do solo que se toma como evidente a força de seu princípio.
-         É o anjo e o cutelo da espada do Rei. De sua fronte avista-se o manancial dos deveres, a parcimônia das exigências.
-         É belo como o Sol, envolvente como o rastro da lua...
-         Alonso, Alonso, homem, sombra e pinheiro, Alonso, belo Alonso de mata e visco, saboroso fauno de cedro e lua amarela !
-         Alonso, tão desejado Alonso, pele morena e gosto de erva doce, quando tua barba cerrada molhar com um beijo a ponta de minha língua farei as festas de Apolo, anjo de devassidão e quietar na noite suave...

Mata ciente e caliente de Alonso.
Seguro é o desejo da beleza e suas virtudes.
Perfeito é o macho, que belo,
tem a força e a posse dos valentes.
Estranha é a noite que recolhe na alma
a certeza do acanhamento do dia,
era lua e não havia sombra
o pinheiro erguia a fronte
e perfilado, oferecia  a face
para o esplendor dourado.

-  Te amaremos belo e soberbo Príncipe de amarelo e preto !

 

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