quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

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NÃO SEI POR QUANTO TEMPO...








Ainda aqui há vizinhos para dizer "Bom Dia!"
E trocar olhares e confessar alegrias.
Há pessoas tranquilas,
Fazendo caminhadas nas ruas,
Tocando suas mãos em gestos de cortesia.


Ainda aqui há domingos em família.
Crianças arrulhando,
Redes pelas varandas, balançando,
Meninas cantando cirandas...
Avós, netos irmãos, pais, tios
E o doce arrepio de um lar.


Ainda aqui há a chuva mansa
Que cai em silêncio pelos telhados
Sem vestígios de inundação,
Somente a canção das águas
Que secam suavemente com o sol.


Ainda aqui há muitas árvores
Carregadas de flores,
Recheadas de belos pardais,
Com raízes que esgueiam pelas calçadas,
Grama macia e sedosa.


Ainda aqui há namorados de mãos dadas,
Borboletas que são mães dos beija- flores,
Madrinhas de todas as cores...
O carteiro que visita a gente com cartas de verdade,
Que falam dos sentimentos e dos contratempos da vida.


Ainda aqui há uma pequena sorveteria
Uma praça e um coreto,
A igreja de portas abertas,
Sempre pronta para quem quiser entrar.
A padaria onde se serve pingado, broinhas de fubá,
Pão de milho com sementes de erva-doce.


Ainda aqui há passeios às escondidas,
Banhos pelas cascatas,
No meio da rua, jogo de futebol...
Conversas leves dos adolescentes,
A lua cheia e todas as estrelas
Em profunda escuridão.


Aqui há sonhos e esperanças
E desejos de poder ser criança
A qualquer hora do dia,
De subir em pés de frutas
E roubar frutas macias.

Aqui há amor... espaços para a fantasia.
Música e poesia em todos os momentos,
Fogão sempre em brasa,
Esquentando os cômodos da casa...
Mesa farta,
Pão doce para alimentar o coração.


Aqui há um salão cheio de festas
Suas portas estão sempre abertas
Em noite de luar.


Ainda aqui há tudo isso e muito mais...
Por quanto tempo? não sei!
Talvez o tempo necessário para ser livre e feliz.


Por Malu Silva

Imagem do Google

1 Comentário

00performer

Tempo de ser feliz! muito belo!