sábado, 5 de janeiro de 2013

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EM TI HABITO...





Mora em ti meu coração,
as mãos quentes
e as partes da minha solidão.
És o abrigo dos meus fantasmas...
O quarto, a sala,
o extenso corredor.
Meus olhos vão pelas tuas janelas...
Meus passos alcançam tuas portas.
Moram em ti as comportas abertas do meu riso,
a vazante dos meus prantos.
Dorme em ti todo meu encanto,
na cama macia do teu peito.
Mora em ti meu corpo,
enroscado no teu,
sob os lençóis do teu íntimo leito.
Em ti descansa meu pensamento.
Em ti esfrego meu perfume,
espalho meus sonhos,
dissolvo meu tormento... meu lume.
Habito em ti a alma,
a lua branca,
o verso,
a cor,
o meu sabor...
E, por habitar em ti,
são meus os teus jardins,
teus lagos, tuas fontes,
tuas cascatas coloridas...
Concha com mil pérolas,
pelos mares perdida.
Habito em ti o mais profundo som da minha voz,
os meu olhos cheios de lembranças.
Em ti a fuga...
A procura...
A loucura...
Tua morada,
casinha branca, docemente caiada.
És tu, o homem que me acolhe,
fazendo-me renascer como rosa azul.
Em ti habito 
aquilo que em mim parece perdido
do Norte ao Sul.

Imagem - Google

2 comentários

vieira calado

Sendo o 1º a comentar, apetece-me dizer que se trata dum poema de mulher apaixonada!

Beijinho para si!

Sônia Pillon

Com certeza são palavras de uma mulher despertada pela paixão, por todos os sentimentos loucos que tomam conta do ser nessa condição... Lindo poema!