sábado, 2 de fevereiro de 2013

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EVOLUÇÃO DO HOMEM - A ERRATA



Imagem: wikimedia commons


A ciência acaba de comprovar, agora oficialmente, aquilo que todas as evidências demonstravam: o homem não é o macho da mulher, da mesma forma que a mulher não é a fêmea do homem.

Passado o espanto inicial da descoberta, é preciso reconhecer que isso explica muita coisa. Para começo de conversa, chegou-se à conclusão de que o
que ocorreu na verdade foi a extinção ou o não-desenvolvimento, ao longo da escala evolutiva, do macho da mulher moderna. Um descompasso onde notou-se fantástica evolução do gênero feminino, num dado período de tempo, concomitantemente a uma inexplicável involução do bicho homem.

Trocando um pouco mais em miúdos e em linguagem leiga o longo e minucioso estudo, podemos dizer que o homem das cavernas teve a sua mulher das cavernas, o pitecantropo teve a sua pitecantropa, o neanderthal teve a sua neanderthala, o homo sapiens teve a sua fêmea sapiens e daí em diante deu-se o surgimento da espécie que o estudo denomina mulieris modernensis - que continuou se acasalando com o velho homo sapiens por absoluta falta de opção, já que este ficou marcando passo física e intelectualmente. A causa do ocorrido, entretanto, ainda é um mistério para os cientistas.

Daí tantos divórcios e casamentos fracassados, a ponto da separação tornar-se praticamente a regra dos matrimônios. O que leva a crer que os raríssimos casamentos que dão certo se devem a um destes fatores: ou homens um pouco mais evoluídos que a média, ou mulheres menos.

Algumas peculiaridades nos caracteres sexuais secundários e nos hábitos observados ofereceram valiosos subsídios para que a ciência chegasse à conclusão ora divulgada. A densa pelagem masculina, a maior truculência nos gestos e atitudes, a proeminência do pomo-de-adão, a rudimentar mania de deixar toalhas de banho molhadas sobre a cama e o fanatismo por esportes violentos são alguns dos indícios a sustentar a tese de que o homem está mais próximo do orangotango do que de sua própria esposa. Uma vez que estes e outros fatos e comportamentos não encontram correspondência na fêmea humana, a óbvia conclusão é de que homens e mulheres são espécies diferentes.

Mantida em sigilo até o momento pela comunidade científica, a pesquisa antropológica e seu contundente resultado pode determinar uma convulsão social sem precedentes. Alguns grandes expoentes do meio acadêmico sugerem que dificilmente o documento será visto com apatia ou indiferença, especialmente pelos movimentos feministas. As mulheres podem reivindicar - e com abalizada razão - a soberania sobre os desígnios do mundo e o domínio sobre o sexo masculino, mantendo os homens cativos ou na condição de animais domésticos. Já os homo sapiens, que de sapiens têm na realidade muito menos do que supunham, provavelmente se organizarão num grande levante mundial contra a dominação feminina, lançando mão de tudo o que estiver ao seu alcance - de armas bélicas as mais diversas até esquecimentos coletivos de aniversários de casamento.

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Marcelo Pirajá Sguassábia é redator publicitário e colunista em diversas publicações impressas e eletrônicas.
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4 comentários

Rita

¨`*• (¨`•.•´¨) ♡ .•*
Olá bom sábado a você!

Nessa minha visita deixo meus elogios
minha gratidão,por ter amizade tão bonita como a sua....Parabéns pelo post que é muito bom
Abraços com todo meu carinho
Bjusss eternos
Rita!!!!
¨`*• (¨`•.•´¨) ♡ .•*

andre albuquerque

Do estado beligerante ao conflito aberto: tanto e tão pouco , com o humor irreverente e preciso na crítica á nossa modernidade doida de pedra.Parabéns, Marcelo.

Lídia Borges


Fantástico!... ;)
Explica muita coisa, sim senhor.

Um beijo

Marcelo Pirajá Sguassábia

Rita, André e Lídia

Muito obrigado pelos comentários, mais que generosos. Abraços e boa semana!