domingo, 31 de março de 2013

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VAMOS CANTAR NA CHUVA? - SÔNIA PILLON


     Quem não lembra da cena protagonizada por Gene Kelly em “Cantando na chuva”
(Singin’ in the rain), de 1952, que mostra o grande astro de Hollywood cantando e
dançando feliz com seu guarda-chuva? Aliás, nem é preciso ser cinéfilo para isso...
     E quem iria imaginar que o protagonista, um dos maiores dançarinos de musicais de
todos os tempos, estava com febre durante as gravações? Muito menos que a “chuva”
do filme não era apenas água, mas uma mistura de água com leite... Outra curiosidade é
que algumas das roupas utilizadas em Singin’ in the rain foi utilizada dois anos após em
outro filme, Deep in My Heart (Bem no Meu Coração), filme biográfico do compositor
norte-americano Sigmund Romberg...
     O sucesso de “Cantando na chuva” foi tão estrondoso que atravessa décadas e resiste na memória dos espectadores, mesmo com a alta tecnologia das produções digitais...
     Tudo pode vir à tona através dos chuvosos e cinzentos primeiros dias de março em
Jaraguá do Sul. “São as águas de março fechando o verão e a promessa de vida no seu
coração”, diz a música de Tom Jobim... Realmente! Mas existem outras composições
não menos famosas, como “Chove chuva”, de Jorge Ben Jor, e “Na rua, na chuva, na
fazenda”, de Hyldon, interpretada por Tim Maia e, mais recentemente, por Kid Abelha.
     Mas se é verdade que eventualmente podemos associar a chuva às obras célebres de
cineastas e compositores, uma situação essa semana me fez lembrar da deliciosa cena a
quem Gene Kelly eternizou nas telas. Foi durante o lançamento da exposição “Mulheres
Escritoras de Jaraguá do Sul”, a industrial e progressista cidade do norte catarinense, na primeira semana de março, na Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa, no Centro Histórico da rua Getúlio Vargas.
     A exposição repercutia a semana do Dia Internacional da Mulher e possibilitou à comunidade conhecer um pouco do universo de 14 escritoras de Jaraguá do Sul, representativas da produção literária da cidade. Também foi a oportunidade para adquirir as obras das autoras.
     E foi durante esse raro momento de confraternização entre as autoras, que Dona Cecília, com sua simplicidade e cativante personalidade, ao ver o temporal que se armou lá fora, expressou sua vontade de enfrentar o mau tempo. Com o sentimento de uma alma livre, ela queria tomar um banho de chuva! “Quer sair cantando e dançando na chuva, Dona Cecília, como o Gene Kelly?”, perguntei, sorrindo. “Ah, sim, isso seria maravilhoso!”, respondeu ela, com os olhos brilhantes. E lá fiquei eu, imaginando a cena sugerida pela doce Octagenária das Letras, segurando seu guarda-chuva, cantando e dançando em plena Getúlio Vargas!... Logo, logo, com certeza muitos outros sonhadores se uniriam à ela no lúdico bailado das águas...

Sônia Pillon é jornalista e escritora, nascida em Porto Alegre (RS) e desde 1996 radicada em Jaraguá do Sul (SC), Brasil.

1 Comentário

Sônia Pillon

Tive o privilégio de estar entre as 14 escritoras homenageadas e não poderia deixar de registrar em crônica esse episódio surpreendente com a Octagenária das Letras! A ela rendo todas as homenagens, como figura representativa do mês de março, que transcorreu o Dia Internacional da Mulher.