quarta-feira, 15 de maio de 2013

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Viagens - Capitulo II



Rio Grande do Sul

O dia estava frio demais embora fosse fevereiro. O sol envergonhado surgia fraquinho por entre as folhas das árvores sorridentes, naquela manhã na praça deserta. Meu lento caminhar madrugueiro pelas aleias floridas, me levaram a um pequeno bar onde serviam um chocolate delicioso.
Era a cidade de Vacaria onde estava a trabalho. Coincidiu ser a mesma época do famoso Rodeio Internacional de Vacaria, um chamariz para os aficionados desse esporte tão comum no Sul do País. Havia gente de todas as partes. Brasileiros, Uruguaios, Argentinos, Chilenos. Uma gama avantajada de idiomas, dialetos, costumes e crenças. Mas um só objetivo: vencer o torneio.
Tomei meu chocolate muito quente e saí para um passeio, e sem muito esforço encontrei o local dos festejos. Um enorme acampamento onde lindos cavalos puxados pelos seus ginetes, eram as estrelas. Bois também. Estes e aqueles eram para as provas de laço. Fiquei para ver essas provas.
Por onde quer que fosse, encontrava alguém falando sobre montarias, trovas, danças e poesias. Moças, senhoras, crianças, senhores e rapazes sorridentes, desfilavam seus lindos trajes folclóricos em um colorido que levava alegria à alma de quem os observasse. É claro que não estava nem um pouco preparada para subir naquelas arquibancadas a céu aberto. Nem nos trajes, nem no conhecimento dos costumes locais. Como pela manhã estava frio, vestia um casaco forrado de lã de carneiro e bota de salto fino. Logo percebi que o frio não era tanto, para tanto casaco, e as tais arquibancadas não foram feitas para pés calçados naqueles saltos altos. Quando pensava estar me instalando para ver as corridas e lançamentos dos laços, enrosquei o salto da bota em um dos degraus, e o grosso casaco me salvou de quebrar as costelas, na descida quase de ponta cabeça até o duro chão de grama verdinha. Mais uma vez vi que nada acontece por acaso. Graças ao casaco não me machuquei. Absolutamente envergonhada, me desculpando com as educadas pessoas que me socorreram, saí dali sem olhar para nada, nem ninguém. Um dos rapazes que me ajudou a levantar do feio tombo, todo sorrisos, me acompanhou entabulando uma conversa alegre e agradável. Boliviano, estava ali participando das festas. E durante os três dias de minha estada naquela cidade pitoresca, fui agraciada com a companhia do jovem, que por algum motivo caiu em meu gosto particular. Sou assim, se gosto, não me faço de rogada. Trabalhando, e nas horas de folga dando atenção ao guapo laçador, perdi os festejos. Uma pena, porque pelo que vi na TV, o rodeio esteve magnífico, premiando ginetes, laçadores, trovadores, cantadores, gaiteiros, dançarinos, poetas e muito mais.
Só que para ir a Rodeios no Rio Grande do Sul, aprendi que se vai de bota baixinha e confortável.

1 Comentário

Sônia Pillon

Ahhh, Paola, essa terra onde nasci e vivi quando jovem é mesmo encantadora e singular...e imagino que ainda mais ao poder usufruir da companhia de um guapo rapaz latino, pródigo em gentilezas... Sem dúvida, será uma viagem inesquecível! Parabéns pela leveza da escrita e grande abraço!