quarta-feira, 18 de março de 2015

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Pequenas histórias 134


 
 
Dezesseis de maio

 
 
 

Dezesseis de maio de dois mil e oito.

“Os homens do campo são ótimos trabalhadores, mas sofrem crises de desânimo quando não trabalham em sua própria terra.” – Cornélio Pires.

Dezesseis de maio, dia do Gari, dia da Margarida como são chamadas as mulheres que no dia-a-dia, às vezes sob um sol clemente, varrem as principais ruas da cidade, varrem as sujeiras dos porcos que não tem conscientização de limpeza nem de higiene.

Dezesseis, sexta-feira, mais uma sexta para a alegria dos apressados que vivem antecipadamente.

Dezesseis sexta-feira de impaciência crônica resvalando para o suicídio intelectual da palavra onde o silencio imobiliza os passos.

Dezesseis sexta-feira que de normal tem seus intricados meandros revelando, no ato de cada um, o mistério a quem possa interessar.

Dezesseis, sexta-feira de fome a correr o desejo perdido em infrutíferas procura pelos bares imundos de falas que se masturbam nos cantos da solidão.

Dezesseis, sexta-feira em que sua ausência se faz presente na minha agenda sem compromissos por cruzar outros caminhos não mais paralelos aos meus.

Dezesseis, sexta-feira, é sexta-feira o que me diz nesse esplendor luminoso do meio dia?

Dezesseis, sexta-feira não há nada para me dizer, eu é que tenho de captar sua fragrância cósmica e traduzir conforme os sentimentos que me conduzem.

Dezesseis, sexta-feira, minha sexta-feira caminharei entre os bares até o amanhecer do sábado para na segunda recomeçar toda a minha caminhada.

Dezesseis, sexta-feira única revitalizando meus sentimentos para construir o alicerce literário da minha obra.

Dezesseis, sexta-feira que venha sempre, nunca me falte com sua presença, minha adorada sexta-feira.

pastorelli

1 Comentário

Pastorelli

Legal, obrigado amigo