sexta-feira, 29 de março de 2019

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Pequenas histórias 329


Ao observar tua boca


- Ao observar tua boca mastigando, vendo teus doces lábios finos em movimentos sensuais se alimentando, esse mastigar o delicioso lanche e saborear o café forte e gostoso, não imagina no que eu penso em fazer...
- Comer um gostoso lanche e tomar um saboroso café..
- Nada disso
- O que então?
- Imagino beijar tua boca, roubar dos seus lábios finos e sensuais, a quentura do café, introduzir minha língua entre teus lábios forçando-os a penetração, lamber teus dentes brancos e retirar todos os resíduos do lanche e, em seguida, junto com a tua língua, envolvê-la na massa branca e úmida do pão para a minha boca, como o pássaro regurgita o alimento para a boca do filhote...
- Credo! Que nojeira, você é doente...
- Sim, sou doente sexualmente safado por você.

- Ao observar tua linda mão empunhando a caneta ou pressionando o teclado, imagina no que eu penso em fazer...
- Sei, tomar minhas mãos na sua, beijá-la carinhosamente, sugar dedo por dedo tendo no olhar segundas intenções, deixar que meus dedos percorram teu peito peludo, passando pela barriga até a virilha onde se aconchegará na quentura do teu sexo...
- Eu é que sou doente...
- E o que será então?
- A tua mão escrevendo um poema para mim...
- Ahn!
- Como isso é impossível...
- É isso é impossível mesmo.
- Como é impossível você escrever um poema para mim, portanto escrevo esse poema para você. E, escrevendo esse poema para você, minha mão torna-se parte de ti e você torna-se parte de mim em todos os sentidos.

Pastorelli / Jean Alzair

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