Ao observar tua boca
- Ao observar tua boca mastigando, vendo teus doces lábios finos em movimentos sensuais se alimentando, esse mastigar o delicioso lanche e saborear o café forte e gostoso, não imagina no que eu penso em fazer...
- Comer um gostoso lanche e tomar um saboroso
café..
- Nada disso
- O que então?
- Imagino beijar tua boca, roubar dos seus
lábios finos e sensuais, a quentura do café, introduzir minha língua entre teus
lábios forçando-os a penetração, lamber teus dentes brancos e retirar todos os
resíduos do lanche e, em seguida, junto com a tua língua, envolvê-la na massa
branca e úmida do pão para a minha boca, como o pássaro regurgita o alimento
para a boca do filhote...
- Credo! Que nojeira, você é doente...
- Sim, sou doente sexualmente safado por você.
- Ao observar tua linda mão empunhando a caneta
ou pressionando o teclado, imagina no que eu penso em fazer...
- Sei, tomar minhas mãos na sua, beijá-la
carinhosamente, sugar dedo por dedo tendo no olhar segundas intenções, deixar
que meus dedos percorram teu peito peludo, passando pela barriga até a virilha
onde se aconchegará na quentura do teu sexo...
- Eu é que sou doente...
- E o que será então?
- A tua mão escrevendo um poema para mim...
- Ahn!
- Como isso é impossível...
- É isso é impossível mesmo.
- Como é impossível você escrever um poema para
mim, portanto escrevo esse poema para você. E, escrevendo esse poema para você,
minha mão torna-se parte de ti e você torna-se parte de mim em todos os
sentidos.
Pastorelli / Jean Alzair

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