Vivo provisoriamente em qualquer momento; sinto-me
incompatível com o tempo ao me apresentar nesta vida “moderna”. Vejo pessoas
amarguradas, com poucas ideias e, sempre, olhando para trás; iludidas em
sentimentos nas ações “corridas” do cotidiano; sem tempo para ler, ouvir e se
divertir. Elas não têm ideia do que representam para nós: são essenciais em
seus alumbramentos.
A
mim impressiona que aceitem suas amarguras como destino e verdade, sem
estruturar a ordem de não olhar para trás. Para Pedro Du Bois, “... O mundo em melhores horas / supera o
desgosto nas flores colhidas...”
Sei
que elas poderiam ter sido o que não foram. Agora, a idade chega para viverem
outra vida ao sentirem suas descobertas e esquecerem as insatisfações, revoltas
e angústias; ao mesmo tempo, darem significado à suas escolhas e construções.
Manuel
bandeira fez “versos como quem morre”
e, Pedro Dantas, replicou, que se ele tivesse dito, “eu faço versos como quem vive”, teria sido a mesma coisa. O que
vale é a concepção ao traduzir de todas as formas a vida. Juca Chaves canta que
“ser jovem é saber envelhecer”; este
é o ponto para não olhar para trás com pesar; sim, como momentos felizes onde
cumprimos as promessas e colocamos em prática princípios sem nenhuma distinção
entre o antes e o moderno, apenas brincando pela vida. A relação das coisas em
si, na compreensão e beleza da palavra que se completam e acentuam a
ascendência de uma sobre a outra, como aceitação da vida moderna.
Olhar
para trás é apenas reflexo, forma para sermos capazes de conquistar e sermos
conquistados num mundo onde precisamos escrever, pintar, cantar; formulando o
que não se repete, mas, palavras, notas e gestos com que damos continuidade no
reforçar a harmonia da vida.

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