Penso quem seria responsável pelo surgimento do novo personagem na política, que utiliza palavrões e se faz referência negativa pelo apoio ao preconceito e à diversidade, como vantagem para se eleger.
Tenho
a impressão de que voltamos ao tempo das grades e dos muros altos, pois, ele
incentiva a violência e se julga a expressão do autoritarismo sobre tudo e
todos. Espanta-me a placidez com que o eleitor o aguenta, suporta e aceita,
fosse a solução do bem viver. Arnaldo Antunes retrata, “... fraturado/ nesses dias / brutos / de coturnos / xucros / a chutar
a cara de quem / ama / arte / cultura educação / liberdade de expressão /
diversidade...”.
Tenho
medo que tais ataques especulativos, destrutivos e o que chamo de choque oportunista, sejam o engodo que a
população não reconhece como
problema, resultando em processo de incompetência e irresponsabilidade, gerando
– em futuro próximo - mais obrigações e menos direitos. Gostaria que os cidadãos
desistissem de acreditar nesse discurso vazio, odioso e interesseiro, em que
não se absorvem ideias e que sub-repticiamente apenas revela a culpa dessa
mesma população num cotidiano em frangalhos. Como em Arnaldo Antunes, ... se nessa seara não há direitos / nem
respeito / ensino ou dignidade / só horror e / ódio, ódio / e horror / as
palavras perdem a clareza / os valores perdem o valor / a vida perde o
valor...”.
Saliento que os ataques são feitos,
diariamente em baixo calão; não há regras que sejam respeitadas. Inúmeras às vezes
em que ele ataca e repete suas idiossincrasias e preconceitos sobre os cidadãos
que não acreditam em suas jogadas
eleitoreiras: joga palavras nos bueiros.
O sistema colapsa com tantas
agressões e falsidades, o que me faz desacreditar que um dia poderá efetivamente
ser governo na acepção do termo; não há ideologia, apenas negócios que ironicamente
não surgem para todos, apenas, em benefício próprio. É inaceitável,
inapropriado e ilegal, porque traz consigo um cotidiano em frangalhos. Parece
filme de terror em que todos os dias somos assombrados por algum espalhado
espírito corrosivo. Nas palavras de Arnaldo Antunes, “... seguindo / docilmente para o abismo / nessa insanidade coletiva /
em que o Brasil nega / qualquer futuro possível / e o ódio / o horror e o ódio
/ e nada que se diga faz sentido...”
O cotidiano está misturado na
canalhice e na falta de escrúpulos do personagem em sua crueldade, movido em
pantanoso discurso do horror onde desaparece a humanidade.
Difícil acreditar que tudo isso está
diante dos nossos olhos; de verificar estarmos vivendo em ambiente fumacento,
escuro, assustador, medíocre e hipócrita. São armadilhas que reduzem o cotidiano
em frangalhos. Em Marcelo Coelho, “A
moral da história talvez seja dos filmes “noir” à moda antiga: tramoias e casos
suspeitos se distribuem entre todos os personagens, trocam-se denúncias como
tiros...”.

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