Quando criança, brincávamos de “chefe manda”. Perguntávamos, Chefe posso ir? Quantos passos? Respondia, um de formiga, quatro de elefante... Assim por diante, até a marca da chegada. Hoje adultos, o chefe manda e nós colaboramos ou o bajulamos? A qual grupo pertencemos?
A
pergunta é: há bajuladores ou colaboradores no trabalho? É triste pensar que
alguém que bajule tenha destino diferente; seja promovido no trabalho sem necessidade
do reconhecimento pelos seus afazeres.
A
diferença é que o ato de bajular é uma armação, espécie de “efeito” no
convívio. Pior, o bajulador sempre pensa que o “poder” compensa. O que não o melhora,
pois, deixa a sensação de falsidade; o ar deslocado em que, muitas vezes, é
promovida uma pessoa na rapidez dos impulsos e emoções diluídas no dia a dia. É
assustador saber que sempre haverá quem necessite ser bajulado.
Essa
é uma das amostras do mundo real, onde a névoa bajuladora desvia os olhares
para viver do que pode destruir a capacidade de reação.
O
colaborador age diferente no desempenho da sua função, conversa racionalmente
sobre o assunto, visa atender a necessidade disso ou daquilo; está sempre em
busca do equilíbrio entre as ações, a competência e o incentivo. Tem por
preocupação redirecionar conceitos positivos para quem o comanda.
O
colaborador e o bajulador, em suas áreas de ação conjugam a mesma rede de
acontecimentos e o que existe de simbólico entre eles é que ambos têm a
esperança de vencer.
Vivemos
tempos de ilusões, o que me leva a desconfiar de “cargos e chefias”, que, em
grande número são protegidos pelo próprio sistema, em que suas necessidades são
“criadas” por quem os rodeia. Muitas vezes, constato que não há sentimentalismo,
mas, apenas o jogo entre o homem e a promessa futura.
Espanto-me
como se estivesse distante da paisagem que se abre para o horizonte, onde a
ideologia, a ética e a moral existissem apenas para se destacarem no tempo
imaginário, da utopia. Será que esses conceitos estão em descrédito? Pedro Du
Bois demonstra no livro, O Descrédito e o
Vazio, o distanciamento dessas palavras que desapareceram ao se tornarem mero
cinismo “estiloso”.
É
interessante e conflitante, porque o bajulador representa a “oportunidade
imperdível” e o colaborador, “muda para melhorar”. Talvez, a comparação esteja no
sentido de vencer desafios no trabalho. Mesmo assim, a minha reação diante dos
bajuladores é de revolta, pois, além de tudo, desestimulam os colaboradores que
podem contribuir para que as mudanças aconteçam.
Claro
que os mecanismos dos relacionamentos são comprometidos; ambos revelam que, em
cada dia, o mundo das relações, mais uma vez, nos consome com seus (im)próprios
modelos e não deixa espaço para as novidades, o que faz a diferença na
convivência, entre obedecer e cumprir metas sem questionar. Restrições impostas
por certos chefes, que não se limitam a persuadir, mas, procedem em favor do
mundo dos dóceis objetos de “mobilização e poder”, com o que liquidam com os
novos tempos.
Onde
o tempo é inventado no estilo de “melhor para mim”. O sentido é de ameaça e o
bajulador se supera ao se engajar no
relacionamento mesquinho e reducionista do “chefe manda”.

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