Diariamente, penso em tudo o que há para fazer. Mesmo sendo atividades que me dão prazer em suas execuções, tento organizar o dia para ficar com a sensação do dever cumprido. Mas, nada se compara à notícia ruim. Nem assim brigo com o relógio que corre em horas paradas. Nas palavras de Sidnei Olívio, “... Perdi o vento do outono / na curva fechada das dúvidas - / quem teve asas e certezas, voou...”.
Não vivo o dia como se fosse único, porém,
quando recebo notícia ruim, fico desconfortável, inquieta e com incertezas para
o amanhã. Repenso a formação de valores que me chegam de diferentes fontes. Não
posso fazer de conta não haver escutado, lida ou percebida a notícia, o que
torna perturbadora a minha situação, por saber estar além das minhas
possibilidades de agir ou contestar. Tanussi Cardoso retrata, “... palavra cítrica / que lodo / em enganos
se expira - // Sede / de sal / em suas linhas...”.
A notícia ruim me coloca fora da zona de
conforto. Encaro-a como desafio. Proponho-me a olhar e ver o quadro atual, em
que somos injuriados e injustiçados. Diante dos fatos, sinto-me presa na
realidade que bate à porta trazendo o medo do dia seguinte. Circunstância que me obriga a reconhecer os
acontecimentos cada vez mais próximos e, embora escolha meu próprio caminho,
ainda assim, continuo presa para viver o futuro.
A notícia ruim retira o propósito e faz
sentir o estranhamento no impacto que revira meus planos do viver, como em
Sidnei Olívio, “... (Há dias sentia) / a
água mais gelada / a cama mais gelada / o dia mais urgente...”.
Não é fácil encarar a notícia ruim, que
mexe com a sensibilidade pelo que está em jogo, na medida com que busco formas
de sobrevivência, pontuando as referências que marcam e contam a minha história.
Os efeitos da má notícia são
insuportáveis e irrecuperáveis, pois, tornam degradantes a capacidade de
compreensão ética e moral. Alteram o estado emocional, fazendo com que reflita
sobre o sentido da vida, pelas injustiças sofridas, e reconsidere a necessidade
de uma rotina confiante e esperançosa.
O tempo ameniza o choque causado pela
notícia ruim; faz aumentar a distância entre a notícia, a vida, o trabalho e o
fato relatado. Por vezes, traz a coragem e leva à reforma geral, para aceitar o
desafio sem perder de vista o meu propósito: aposentar-me.

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