Antes
do coração o sangue corre sem ritmo, num jorro de vida audível com auxílio do
instrumento médico, cada batimento é um cavalo selvagem, dentro do peito, peito
ocultado pelo ventre-abrigo da sua mãe, o coração nasce depois da vida, minha
filha!
O que as outras espécies aprendem
dentro do útero, nós precisamos botar a cara pra fora do conforto uterino para
conhecermos e aprendermos, só depois, de uma maneira idiota, tentamos catalogar
tudo em palavras e sentimentos.
Para cada coisa há um nome, mas o
mais importante é nomear o que sentimos, lemos os nossos pensamentos quando
aprendemos a ouvir as nossas próprias vozes.
A gente nasce e se torna o
mundo, pra depois descobrir a distância entre nós e ele. De dentro do escuro eu
vi emergir o seu rosto, a maquina de ultrassom faz a nossa primeira fotografia.
O caminho que conduz ao primeiro
passo, retira as nossas mãos do sentir da terra, nos impõe a arrogância que é
botar os olhos nas lonjuras, não se envaideça, minha filha, um número
incontável de pessoas já caminhou sobre dentro deste planeta, quando fui
escrever este palavra, escrevi problema.
Falar talvez seja resgatar o
movimento inicial do sangue, domar o vento em consoantes e vogais.


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