Tenho assistido a muitos cortes na área profissional, que acontecem por vários motivos. Apesar de eu levar uma vida normal, fico angustiada em descobrir a ocorrência de tais estratégias por parte dos patrões, ao agirem em prol do aumento de suas conquistas.
Cortes
são palavras e conceito discutível, pois, envolve vários significados. Seja
qual for a meta, pequena ou grande, é possível deparar-nos com tais cortes, de energia,
água e telefone; na censura de gestos, palavras e na contenção de despesas. Realidade
dura e delicada que exige o querer lutar por causa justa, desejando integração
num mundo em que os cortes teimam em nos separar. O comportamento diante do
tema revela que só conseguimos pensar em nós mesmos, como sobreviventes na área
profissional. Fernanda Montenegro expressa, “A
grande diferença entre a crítica e os atores é que nós estamos no palco por uma
grande vocação. O crítico muitas vezes está só de passagem”.
Ainda há o significado do rei, com seu entorno
de aristocrático e monárquico, excluindo a população – plebe – em geral. Quando
nos referimos ao corte, temos a
lembrança do “sangra”. Por exemplo, em 1952, uma crítica de Ferreira Gullar
corta o talento de Portinari, chamando-o de “pintor
esquemático”.
Chama especial atenção os princípios
utilizados no corte que, infelizmente, é a da situação que não podemos deixar
passar em branco, porque é difícil aceitar o corte quando se trata da sua
aplicação sobre a nossa experiência, como flagrante do cotidiano. Quanto mais
moderna a vida, menos tempo temos para nos preocupar com quem foi “cortado” do
nosso meio de trabalho ou do grupo de amigos, pois, tomamos caminhos opostos e
a competividade é grande – “hoje ele, amanhã eu”.
Penso
podermos evitar os cortes e reconstruirmos as chances de minimizarmos os riscos.
Ao assumirmos tal responsabilidade profissional e social, estamos
compartilhando a liberdade de expressão ao nos conectar com a vida.
Conscientemente, vozes se multiplicam e inspirações refletem sobre o que, e
quem, é significativo na obtenção de rotina flexível e de vida plena em
diferentes situações do dia a dia. Postura que pode trazer emoções no elaborar
e transformar em desafio a imaginação; como em Aparício Torelly, conhecido como
o Barão de Itararé, humorista e frasista, que colaborou em pasquins na
faculdade de Medicina em Porto Alegre. Sobre ele, Jaime Brener conta que, numa
prova de anatomia, o professor lhe perguntou, ”Quantos rins nós temos?” Ele respondeu, “Quatro... Dois eu mais dois o senhor se for uma pessoa normal”.
Corte(s) são males que cortam nosso
crescimento pessoal e, também, dizimam a criatividade e a espontaneidade, as
paisagens, o brilho do Sol, o verde da grama, o frescor da chuva, o sorriso e a
lágrima; exterminam o passado no presente e, ainda, buscam nos fazer culpados
pelo modo pessoal com que respondemos ao vivenciar os ataques.
Pergunto:
será que lembramos todos os tipos de cortes sofridos no decorrer da vida?

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