terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

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CRONÓPIOS

Para Júlio Cortázar
e todos cronopianos


Sou o fiel
depositário
de um
torrão de açúcar.

Guardei
um tanto
de giz
entre as unhas
(pó de palavras)

e essa lasca
de marfim
do túmulo profanado
dos paquidermes.

Isso basta,
na trégua
precária
no gargalo
desse vulcão
que hiberna
em estado de
flor.

Polvilho
as relíquias
pois ignoro
a espessura
das trevas.

O inverno é longo
– o bastante –
para que a neve
reaja a esses
rudimentos de liberdade
extinta.

Haverá um tempo
de degelo,
águas e
correntezas;
de uma outra
dimensão
por detrás
dessa moldura
vazada.

Caronte
aguarda
o sal da
terra.



Os demônios
(e os cronópios)
sempre souberam
que para o sobrevivente
a primeira qualidade
do sonho
é ser corruptível.

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