terça-feira, 30 de abril de 2013

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O Poema (inédito) - Sonia Regina


O Poema

A noite aparece, pouco densa,
oferenda fabulosa e pura.
Escrevo, apenas.
Os dedos brilham ao som
das teclas tornadas letras,
signos ainda não desbravados.
Construo e inauguro leitura possível.
Sem remissão, sílabas claras
são lastro seguro.
O vislumbre de uma passagem
irrompe e versos surgem na tela,
buracos luminosos plenos
do sublime experimentado na carne,
do transcendente fogo dos deuses.
Pressinto o mistério da transmutação
de um instante extraordinário.
Estou cravada no mundo;
numa quietude geradora parto
das ruínas, sem milagres nas mãos;
lavrados em nenhuma escritura,
a força atenta e o valor guerreiro
fundados no sangue.


Sonia Regina
300413




6 comentários

Lídia Borges

"Sem milagres nas mãos".

É possível, chamar à poesia um milagre, não fosse ela vida, não fosse a vida um verdadeiro milagre.


Um beijo

Jorge Xerxes

Sonia,

Muito Bonito o Poema!

Gostei especialmente disso:

<<< A noite >>>

"aparece, pouco densa,
oferenda fabulosa e pura.
O vislumbre de uma passagem
do transcendente fogo dos deuses.
Numa quietude geradora parto
das ruínas, sem milagres nas mãos;
lavrados em nenhuma escritura,
a força atenta e o valor guerreiro
fundados no sangue"

Um Beijo, Jorge

Tânia Du Bois

Querida Sonia,

bela construção.Gostei muito!
Parabéns!
Beijos, Tânia.

Pablo Flora

Ótimo retorno, Sonia. Belo e essencial poema. Bjos

Sônia Pillon

"Escrevo, apenas. Os dedos brilham ao som das teclas tornadas letras,
signos ainda não desbravados." É a magia que tomou conta da tua alma e transformou letras em um belíssimo poema, Sonia! Beijos


Sonia Regina

Amigos Lidia, Jorge, Tânia, Pablo, Sonia

Obrigada pelos comentários. Assim ficaram registrados, nesse poema, os únicos versos de 2013.