terça-feira, 4 de outubro de 2022

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O casamento.

                         Para Anderson e Kamila.


As trombetas tocaram. As cordas tangidas pelos arcos deram os primeiros acordes. Os tambores rufaram a melodia. E as vozes elevaram a música em todos os cantos da igreja. As portas do templo gloriosas se abriram. Por ela entraram dois trompetistas que com passadas rígidas, paravam pela nave soando os acordes de Zaratustra até os degraus do altar. Em seguida, duas crianças, duas meninas ricamente vestidas, ao comando do diretor do espetáculo se postaram ao lado do altar. Depois sucessivamente, entraram os casais de padrinhos perfilados na elegância dos ternos e vestidos. No momento que os atores coadjuvantes se postaram em seus lugares, a marcha Nupcial elevou os corpos e olhares para o fundo do templo na expectativa dos atores principais.

E lá estavam o pai e a noiva. O pai radiante, feliz não só por estar ao lado da filha, como por ter conseguido até aquele momento, dado não só a si mesmo tudo o que conseguiu, mas a filha que depois do belíssimo espetáculo estará voando com suas próprias asas, retribuindo com sua vida feliz, tudo o que os pais lhe ensinaram.
E lá estava o terceiro ator, o noivo que, tendo recebido dos pais a coragem, a força, a honestidade e, com o amor que lhe transmitiram a espera de oferecer tudo isso e muito mais, a sua companheira para assim, continuarem a saga da humanidade e, com orgulho estampado no sorriso feliz, receber das mãos do pai, a mulher que completará sua vida, assim como ele completará a vida dela.
E lá estava os coadjuvantes, a maioria na simplicidade de ser, participando do espetáculo não só como convidado, mas como humildes participantes daquelas duas vidas que hoje partirão para uma única vida: de amor e felicidade.

E ao soar os acordes da belíssima música, talvez a mais clássicas de todas as músicas, a Ave Maria, os corações compungidos pela beleza, tanto do espetáculo como o amor aos dois ajoelhados recebendo a bênção do sacerdote, deixaram escapar uma lágrima que o flash estampou nos rostos dos pais e convidados.

Apesar da temperatura fria, a lua brilhou na quentura dos abraços e felicitações, entre risos e vivas, entre champanhe e bolo, iluminando os passos de duas aves em seus primeiros voos sem a batuta dos pais.
Felicidades hoje e sempre.

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