Para Anderson e Kamila.
As trombetas tocaram. As cordas tangidas pelos arcos deram os primeiros
acordes. Os tambores rufaram a melodia. E as vozes elevaram a música em todos
os cantos da igreja. As portas do templo gloriosas se abriram. Por ela entraram
dois trompetistas que com passadas rígidas, paravam pela nave soando os acordes
de Zaratustra até os degraus do altar. Em seguida, duas crianças, duas meninas
ricamente vestidas, ao comando do diretor do espetáculo se postaram ao lado do
altar. Depois sucessivamente, entraram os casais de padrinhos perfilados na
elegância dos ternos e vestidos. No momento que os atores coadjuvantes se
postaram em seus lugares, a marcha Nupcial elevou os corpos e olhares para o
fundo do templo na expectativa dos atores principais.
E lá estavam o pai e a noiva. O pai radiante,
feliz não só por estar ao lado da filha, como por ter conseguido até aquele
momento, dado não só a si mesmo tudo o que conseguiu, mas a filha que depois do
belíssimo espetáculo estará voando com suas próprias asas, retribuindo com sua
vida feliz, tudo o que os pais lhe ensinaram.
E lá estava o terceiro ator, o noivo que, tendo recebido dos pais a coragem, a
força, a honestidade e, com o amor que lhe transmitiram a espera de oferecer
tudo isso e muito mais, a sua companheira para assim, continuarem a saga da
humanidade e, com orgulho estampado no sorriso feliz, receber das mãos do pai,
a mulher que completará sua vida, assim como ele completará a vida dela.
E lá estava os coadjuvantes, a maioria na simplicidade de ser, participando do
espetáculo não só como convidado, mas como humildes participantes daquelas duas
vidas que hoje partirão para uma única vida: de amor e felicidade.
E ao soar os acordes da belíssima música,
talvez a mais clássicas de todas as músicas, a Ave Maria, os corações
compungidos pela beleza, tanto do espetáculo como o amor aos dois ajoelhados
recebendo a bênção do sacerdote, deixaram escapar uma lágrima que o flash
estampou nos rostos dos pais e convidados.
Apesar da temperatura fria, a lua brilhou na
quentura dos abraços e felicitações, entre risos e vivas, entre champanhe e
bolo, iluminando os passos de duas aves em seus primeiros voos sem a batuta dos
pais.
Felicidades hoje e sempre.

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