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| Ilustração: Jackson Pollock |
Calmaria, sem suor, na madrugada lisa que avança, quase esquecida,
com pequenos sustenidos - brandos e mancos –
documentados e arranjados
nos passantes de feira e beira
assados e criados no sol dos dias céleres e vivos
rodopiando vidas horários engrenagens
cá e lá um sorriso e namorados se esquentando no parque e na praça
nos bancos de vadiagem
quase sem olhos entre margens e fados
deixando pequenas conchas de favores
- nem sequer pedidos - aos ares e fumaças
do correr do dia vida e rotina ventos e tenazes, enquanto, na fila
dos desempregados, mãos estreitavam cabeças e alguns olhos
– aí sim – expressivos para latentes súplicas
perdidas ardidas temidas encolhidas submetidas
sem a lira leve frouxa dos desatinados que colhiam
- às 13:00 desse sábado - as sobras distribuídas
- às 13:00 desse sábado - as sobras distribuídas
das frutas e favas da feira no átrio
desejos e palavras e vantagens de alguns sonhos que mirei, se
ainda fosse possível colher
novidades e milagres
mas, parece que é bento e suave o nascimento
e se vertigem é a alma e a necessidade e
o perfil e o estado e correm pétalas e o líquido
e alguma santidade.


2 comentários
Otimo! Abraços.
Gracias, Pedro, abraço!
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